sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

ORGÂNICOS NÃO SÃO MAIS SAUDÁVEIS QUE ALIMENTOS CONVENCIONAIS (ESTUDO BRITÂNICO)


As pessoas que apregoam os benefícios do consumo de produtos cultivados naturalmente não vão ficar muito satisfeitas com um novo estudo que afirma que eles não são muito mais saudáveis que os produzidos de forma convencional.






Não sei o que passava na cabeça de quem escreveu esse artigo, mas suspeito que tenha sido algo assim:
- Agora quero ver o que esses ecochatos da alimentação saudável vão dizer com os resultados dessa pesquisa...
E com o olhar completamente distorcido faz a tradução do título do artigo e o coloca como uma manchete. Tentarei explicar porque fico desconfiado assim.
Eu, particularmente, compro produtos orgânicos sempre que estão ao meu alcance, seja físico ou econômico.Deixo isso bem claro para que saibam qual a minha tendência na hora de escrever esse pequeno texto. Entretanto, jamais mentiria ou sairia escrevendo artigos por aí acreditando que ninguém seria capaz de verificar as fontes. E compro os orgânicos mesmo sabendo, ou melhor, suspeitando da insustentabilidade dessa opção, pois não sei se haveria produção suficiente de alimentos orgânicos para toda a população do nosso combalido planeta. Vou dar uma olhada melhor sobre essa questão. Ainda os compro com a nítida sensação de que isso só é possível segundo a lógica do privilégio. Ops, corrigindo, segundo a lógica escrota do privilégio.
Então vamos lá.
O título do artigo sobre o review que foi feito sobre produtos organicamente cultivados que aparece no site da London School of Hygiene and Tropical Medicine é “Organic food not nutritionally better than conventionally produced food”, que pode ser traduzido como “ Alimento orgânico não é nutricionalmente melhor que alimento convencionalmente produzido”. Espero que concordem quando eu questiono a tradução “ Orgânicos não são mais saudáveis que alimentos convencionais (estudo britânico)”, dada pelo jornalista. De onde saiu essa distorcida conclusão?
Talvez o texto do jornalista seja mais esclarecedor. Mas já no primeiro parágrafo ele insiste na meia informação quando diz que “Na pesquisa publicada esta semana em uma revista americana, os especialistas da London School of Hygiene and Tropical Medicine (LSHTM) afirmaram que não existem diferenças importantes entre os alimentos orgânicos e os produzidos de maneira convencional.”  Tudo bem que no segundo parágrafo, quando ele não usa suas próprias palavras, mas apenas tenta traduzir o artigo original a coisa fica um pouco mais clara, "Foi encontrado um pequeno número de diferenças no conteúdo de nutrientes entre cultivos e gados controlados organicamente e os de maneira convencional", declarou o dr. Alan Dangour, principal autor do estudo. "Mas é pouco provável que tenham alguma importância na saúde pública".
O subtítulo é ainda pior “As pessoas que apregoam os benefícios do consumo de produtos cultivados naturalmente não vão ficar muito satisfeitas com um novo estudo que afirma que eles não são muito mais saudáveis que os produzidos de forma convencional.”  Trata-se de conclusão absolutamente tendenciosa, pois em nenhuma parte do artigo há subsídios para tal constatação. Não se trata de defender o contrário dizendo que o alimento orgânico é muito mais saudável que o convencional, mas apenas de se ater aos dados. Como sustentar tal afirmação quando o artigo original deixa claro que “ The review focussed on nutritional content and did not include a review of the content of contaminants or chemical residues in foods from different agricultural production regimens”.
Quando você põe numa manchete que orgânicos não são melhores que os convencionais, sem mencionar que no estudo não foi levado em conta a presença de agrotóxicos, suspeito de duas coisas: má fé e/ou ignorância. O que se fala sobre agrotóxicos está no fim do artigo brasileiro e não estressa a ausência deles no review da American Journal of Clinical Nutrition[i].
Ora, creio que pouca gente[ii] crê que a diferença entre os dois tipos de alimentos em questão seja nutricional. Ou melhor, todos sabem que o sabor é diferente[iii], mas daí interpretar em ser mais nutritivo é um erro. O que se leva em conta é a presença ou não de agrotóxicos. Como químico familiarizado com muitas substâncias químicas e com análises de resíduos sei que o uso de agrotóxico pode ser melhorado, e muito, caso as indicações de uso escritas no rótulo fossem obedecidas. Mas gostaria que vocês imaginassem aquele trabalhador aplicando os pesticidas de havaiana e bermuda, sem nenhum equipamento de proteção fazendo as contas de diluição do produto[iv].
Assim sendo, se você puder escolher, seguindo a recomendação do The Guardian[v], citado pelo jornalista do último segundo, look beyond the headlines, e reduza a ingestão de substâncias perigosas em seu alimento. Agora, se você acha que agrotóxicos não dão nada, viva sua vida e pague seu plano de saúde. Que vamos morrer todos sabemos. Mas, pelo menos, podemos tentar, se de velhice, morrer bem.

Abraços, Antonio.

PS1  Abaixo, os textos citados pelo Último Segundo.
PS2  Será que o chamico usado pelos superlongevos lá do Equador[vi] é orgânico? O lá do meu jardim é…
  


Organic food not nutritionally better than conventionally produced food
Wednesday, 29 July 2009


Systematic review of literature over 50 years finds no evidence for superior nutritional content of organic produce
There is no evidence that organically produced foods are nutritionally superior to conventionally produced foodstuffs, according to a study published today in The American Journal of Clinical Nutrition (see abstract).
Consumers appear willing to pay higher prices for organic foods based on their perceived health and nutrition benefits, and the global organic food market was estimated in 2007 to be worth £29 billion (£2 billion in the UK alone). Some previous reviews have concluded that organically produced food has a superior nutrient composition to conventional food, but there has to date been no systematic review of the available published literature.
Researchers from the London School of Hygiene & Tropical Medicine have now completed the most extensive systematic review of the available published literature on nutrient content of organic food ever conducted. The review focussed on nutritional content and did not include a review of the content of contaminants or chemical residues in foods from different agricultural production regimens.
Over 50,000 papers were searched, and a total of 162 relevant articles were identified that were published over a fifty-year period up to 29 February 2008 and compared the nutrient content of organically and conventionally produced foodstuffs. To ensure methodological rigour the quality of each article was assessed. To be graded as satisfactory quality, the studies had to provide information on the organic certification scheme from which the foodstuffs were derived, the cultivar of crop or breed of livestock analysed, the nutrient or other nutritionally relevant substance assessed, the laboratory analytical methods used, and the methods used for statistical analysis. 55 of the identified papers were of satisfactory quality, and analysis was conducted comparing the content in organically and conventionally produced foods of the 13 most commonly reported nutrient categories.
The researchers found organically and conventionally produced foods to be comparable in their nutrient content. For 10 out of the 13 nutrient categories analysed, there were no significant differences between production methods in nutrient content. Differences that were detected were most likely to be due to differences in fertilizer use (nitrogen, phosphorus), and ripeness at harvest (acidity), and it is unlikely that consuming these nutrients at the levels reported in organic foods would provide any health benefit.
Alan Dangour, of the London School of Hygiene & Tropical Medicine’s Nutrition and Public Health Intervention Research Unit, and one of the report’s authors, comments: ‘A small number of differences in nutrient content were found to exist between organically and conventionally produced foodstuffs, but these are unlikely to be of any public health relevance. Our review indicates that there is currently no evidence to support the selection of organically over conventionally produced foods on the basis of nutritional superiority. Research in this area would benefit from greater scientific rigour and a better understanding of the various factors that determine the nutrient content of foodstuffs’.
For further information, or to interview any of the report’s authors, please contact Gemma Howe in the London School of Hygiene & Tropical Medicine Press Office: 
Gemma.howe@...
Tel: +44 (0)20 7927 2802/07828 617 901
Food Standards Agency Press Office:
Tel:+44 (0)20 7276 8888
Emer.timmins@...

Notes to Editors:
Nutritional quality of organic foods: a systematic review
Authors: Alan D Dangour, Sakhi K Dodhia, Arabella Hayter, Elizabeth Allen, Karen Lock, Ricardo Uauy
External review
An independent expert review panel was constituted to oversee and advise on the conduct of the review. The panel comprised a subject expert, Dr Julie Lovegrove (University of Reading, UK) and an expert in public health nutrition with systematic review experience, Professor Martin Wiseman (University of Southampton UK and World Cancer Research Fund International, UK).
Funding
The study was commissioned and funded by the UK Food Standards Agency. The funder had no role in study design, data collection, analysis, interpretation or writing of the report. The review team held six progress meetings with the funder. The corresponding author had full access to all the data and had final responsibility for the decision to submit for publication.


Good reasons for going organic


·                                 Article history

We would like to point out the misleading nature of both your headline (Organic food not healthier, says FSA, 30 July) and the Food Standards Agency's study. First, as you report, the study has noted that there is an increase in nutritional content, as have other studies; much more importantly, the study did not look at the health implications of the use of fertilisers and pesticides, the major health difference between conventional and organic foods. Furthermore, as your article stated, consumers are not primarily motivated to purchase organic food for personal health reasons but for much wider environmental and social reasons.
Serious questions need to be asked of the FSA as to why it commissioned a study with such a limited scope: it is like looking at the health impacts of smoking and only assessing the degree of tobacco staining on a user's fingers. Organic food is good for the local environment, creates jobs and will be increasingly recognised as essential in the fight against climate change and resource constraints.
Consumers would be advised to look beyond the headlines and continue to support organic producers whose wider societal impacts bring benefits to all.
Julie Brown, Antony Froggatt, Nick Plumeridge and Natasha Soares
Pear Necessities Organic Partnership
Organic farms have on average 30% more species and 50% more wildlife like birds, butterflies and bees. Compassion in World Farming, the recognised experts, says organic farming has the potential for the highest animal welfare standards. Other environmental benefits are self-evident – there's less dangerous waste on organic farms and almost no pesticide use. Artificial nitrogen fertiliser is banned in organic farming, so there's less runoff of nutrients that cause algae blooms in coastal waters.
There are more women and younger people involved in organic farming, and organic farmers are more optimistic about the future. That future will be dominated by climate change. Here organic farming is leading the way, insisting on using solar-powered fertility through crops like red clover that fix nitrogen into the soil for subsequent crops. For our own health and the health of the planet, organic food and farming will play a big part in our future.
Molly Conisbee
Aside from the fact that the FSA's study ignores the most up-to-date research on the nutritional benefits of organic food, a more useful study would have been one which acknowledges the growing body of evidence on the impacts of bioaccumulative and endocrine-disrupting chemicals used in intensive farming and the climate change impacts of carbon-intensive farming.
Organic farming is a holistic, integrated approach which conserves soils, encourages biodiversity, eliminates greenhouse gas-intensive nitrogen inputs, conserves genetic diversity, and brings more income to the grower. And is very probably healthier to boot.
In 2008 the Sustainable Development Commission's Green, Healthy and Fair report found that "conflicting policies from different areas of government are also making it impossible to achieve targets" including reducing carbon emissions and promoting the healthy development in children. The FSA's latest report is just such an own goal.
Andrew Lee
While there are many good reasons to eat organic, I think taste is an important influence. Here so-called blind tests are up against a problem as so many non-organic consumers' taste buds have been damaged by eating an excess of strong, spicy flavours, sweeteners, chemicals and so on. To a fully working palate there simply is no argument. Especially with such foods as chicken, tomatoes, strawberries, apples and so on. Add to that smell, and you can see why when food is whole and fresh and free from chemicals, grown in healthy, uncontaminated soil with access to natural sunlight, the phrase "evocative aroma" really means something!
And the truth is we don't need science to tell us this. Could it be that some natural, sensual, instinctive, intuitive awareness might be more accurate than a science limited to provable "facts"?
Mora McIntyre
Hove, East Sussex




[i] Am J Clin Nutr (July 29, 2009). doi:10.3945/ajcn.2009.28041
[ii] Quando eu digo gente, imagino aquele tipo que sabe o que é nutricional.
[iii] Melhor ou pior depende da sua posição com relação ao assunto. Mas, experimente cultivar morangos de maneira orgânica. O tamanho é decepcionante, mas o sabor... Algo a ver com a comunidade nipônica.
[iv] Eu conheço biólogo que não sabe... Geógrafo então...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

EFEITOS DO ARSÊNIO NA SAÚDE - PROBLEMAS NA ÁSIA

Nas viagens que fazemos às cidades históricas em Minas Gerais devemos mencionar o problema da contaminação da água dos aquíferos.
Segue uma matéria sobre  a presença de arsênio em níveis não aceitáveis , ou quase, para o consumo humano que afeta, ou afetará nos próximos anos, 100 milhões de pessoas na Ásia.

Caso queira ler o artigo na página original, clique aqui.






Published online 17 January 2011 | Nature | doi:10.1038/news.2011.20

News

Arsenic sinks to new depths

Groundwater overuse can push poisonous element deeper — a serious risk for countries in Southern Asia.

man with skin lesions from drinking arsenic-laced waterDrinking arsenic-laced water can cause a range of health problems from lesions (shown) to cancer - and findings now show deeper wells may not be a solution.Reuters
More than a century of groundwater over-exploitation in Vietnam has drawn the water table down and, with it, arsenic. It may only be a matter of time before the toxic element also permeates deep aquifers in other Asian countries that follow the same practice, such as those around the Bengal Basin.
These conclusions, published today in theProceedings of the National Academy of Sciences1, point to high future costs in terms of both health and water-purification processes. Some 100 million people throughout Asia are currently at risk from unsafe levels of arsenic in their water supplies. The element can trigger conditions ranging from anaemia to skin cancer. With deeper aquifers so far thought to be arsenic-free, some municipal authorities in Bangladesh, and many in Vietnam, are drilling into lower sediments.
In Vietnam, a nation that began overusing its deep aquifers under French occupation more than 110 years ago, the effect is already pronounced. In the region surrounding the densely populated city of Hanoi — with nearly 2,000 people per square kilometre — it is difficult to escape arsenic-contaminated water, no matter how deeply you drill.
The researchers analysed 512 private tubewells reaching to depths ranging from 10 metres to more than 50 metres throughout the country's Red River Delta. Their findings revealed that 27% of the wells contained levels of arsenic in excess of the World Health Organization's standard of 10 micrograms per litre, says Michael Berg, a senior scientist at the Swiss Federal Institute of Aquatic Science and Technology in Dübendorf and a co-author on the study1. This puts some 3 million people at risk.
The survey, carried out in cooperation with the Hanoi University of Science and Technology, also found harmful levels of other elements — about 7 million people in the Red River Delta are exposed to unsafe levels of at least one element. After arsenic, the most important of these is manganese, which exceeded World Health Organization guidelines in 44% of the wells. Elevated levels of this element can affect neurological development in children.

Mapping the depths

From the survey data, Berg's team created the first three-dimensional groundwater map, using statistical modelling to show levels that are relatively arsenic-free. "It is now clear where water is safe and where it is unsafe. That is one of the most important findings for the public," says Berg.
The map makes it difficult for officials to ignore the arsenic problem, says Dieke Postma, a senior researcher at the Geological Survey of Denmark and Greenland, who has been working in the region since 2004 and is unconnected with the new study. "It's important for the Vietnamese authorities because they haven't had an overview of how big the problem is," he says.
3D map of arsenic distribution at depth in Red River sediments, Vietnam'Stacked' 3D map of arsenic pollution risk in Red River Delta sediments, Vietnam, shows that unsafe levels of the element (in red) have penetrated to deeper layers.Ref. 1; Michael Berg, www.eawag.ch
Postma says he hopes that an international scientific conference on the issue, to be held in Hanoi in November, will draw further official attention to arsenic contamination in the region.
The implications of the finding could be serious for countries around the Bengal Basin in South Asia. In Bangladesh, where some 70 million people2 are exposed, the use of deep aquifers is a more recent phenomenon. Decades ago, aid agencies introduced tube wells as a reliable and clean water source, only to find that the top-most sediment layers, formed in the 12,000 years since the start of the current Holocene epoch, contain naturally occurring arsenic that leaches into the groundwater.
To avoid contamination, wells in the Bengal Basin can be drilled into deep layers that were oxidized during the last ice age, in which the water is free of arsenic, Berg says. These aquifers were created during the Pleistocene epoch, between 12,000 and 2.5 million years ago, and lack the organic carbon that is needed for arsenic to leach into water.

Leaching lower

But if people in the Bengal Basin continue to exploit their water supplies at the current rates, arsenic-laden water from the upper layers may find its way into Pleistocene aquifers, the study suggests.
Berg's team is in contact with scientists in Dhaka to evaluate arsenic migration into deeper sediments.
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The group is the first to give real-life evidence that arsenic in deeper layers can get into groundwater. Other lab-based studies2,3 have suggested that sediments in deeper aquifers tend to keep arsenic out of the water, says William Burgess, a hydrogeologist at the Department of Earth Sciences at University College London. On the basis of the new study, he thinks that such sequestration may not always happen and probably depends on the composition of sediments and the complexity of water flow underground.
"Pumping from the Pleistocene aquifer has certainly had an adverse effect in terms of drawing down arsenic at significantly high concentrations over about 100 years," says Burgess. "These deep wells weren't being monitored 10, 20, 30 years ago, so we don't know how quickly arsenic got down there, but it got there sometime in the past 100 years." 
  • References

    1. Winkel, L. H. E. et al. Proc. Natl Acad. Sci. USAdoi:10.1073/pnas.1011915108 (2011).
    2. Burgess, W.G. et al. Nature Geosci. 3, 83-87 (2010). | Article | ISI
    3. Stollenwerk, K. G. et al. Sci. Tot. Environ. 379, 133-150 (2007). | Article | ISI





terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O PROJETO PARA O PLANO PILOTO E O PENSAMENTO DE LÚCIO COSTA



“Não se chega a uma idéia de cidade a partir de uma idéia de espaço: ao contrário a busca de categorias fundamentais das funções da vida social. É, portanto, o processo metódico que leva à definição do espaço e, por conseqüência, da arquitetura”. (G. C. Argan “Clássico Anticlássico”)
Este ano comemora-se o cinqüentenário da realização do concurso internacional que escolheu o projeto para a nova capital, de autoria de Lúcio Costa – um dos personagens cimeiros de nossa história, no último século. O seu legado ganha merecida relevância quando estudamos a fundo o conjunto de sua obra vitruviana, que somado aos seus escritos formam um conjunto de aul as – implícitas ou explícitas – que ensinam ao arquiteto que ao conceber uma Arquitetura, deve-se, antes de mais nada, comportar-se como pensador. Lúcio Costa deveria ser considerado por todos – incluindo os das gerações vindouras – como um ícone primordial de nossa arquitetura, cuja maior lição transmitida é a de ter colaborado para validar o conceito de que a formação do arquiteto só pode ser completa quando for oriunda do cerne de um profundo conhecimento técnico e da própria cultura tanto quanto a de outros povos, como será demonstrado mais adiante. A sua maior herança é, portanto, o seu pensamento.
O projeto do Plano-piloto, como não poderia deixar de ser, é o mais escrutinado da trajetória de Lúcio Costa, não só pelo tamanho e função, outrossim, por ser a síntese de sua vivência na práxis. Quando ele diz que a proposta enviada para o concurso internacional de projetos para a construção da nova capital, foi, na realidade, uma maneira de desvencilhar-se de uma idéia, em verdade, é o resumo de um conhecimento acumulado, representado por croquis e traduzido em texto, assim como, o ponto de convergência do pensamento urbanístico de uma época, concebido com um alto grau tanto de temporalidade social como individual. Com efeito, ele só poderá ser entendido se esse fato for devidamente relevado. Na arquitetura, como no fenômeno de Kant, o objeto nunca está dissociado dos fatores: tempo e espaço:
“pode-se definir arquitetura como construção concebida com a intenção de ordenar e organizar plasticamente o espaço, em função de uma determinada época, de um determinado meio, de uma determinada técnica e de um determinado programa” (1).
Uma cidade é fruto (sempre) de um processo econômico e social e, por conseguinte, nasce, de uma vontade política, afastando qualquer possibilidade de que ela seja conseqüência de um fato que acontece de forma casual. Na transição de um capitalismo concernente ao comércio para um capitalismo industrial, surgiram áreas urbanas cuja vida social distanciaria, gradativamente, o homem do campo. Nelas, tornava-se comum o surgimento de bairros eminentemente residenciais, tanto para os proletários quanto para as classes mais abastadas, que detinham os meios de produção.
As condições das moradias da classe operária, em uma realidade cada vez mais urbana, levaram a uma discussão sobre o planejamento de uma cidade ideal, considerando esse novo ambiente econômico e social. Surgiu então, o que se pode ser denominado como um pré-urbanismo cuja pesquisa resultaria em conceitos e, mais tarde, projetos utópicos para novas cidades. As concentrações urbanas passaram a ser objeto de estudo por profissionais de outras áreas, como, por exemplo, os da médica. O urbanismo transformou-se em tema de discussão entre os arquitetos em um segundo momento.
Na visão wrightiana, por exemplo, apregoava-se uma cidade predominantemente horizontal e bucólica, onde as pessoas viveriam em residências cercadas por jardins. As praças que antes eram espaços de encontro, a partir do capitalismo industrial, passam a ser, como nos ensina Sennett na obra O declínio do homem público (2), locais, primordialmente, de passagem. Parques foram criados para proporcionar melhor qualidade de vida – um pedaço do campo nas cidades ou o pulmão das cidades. O urbanismo, com efeito, nasce como área do conhecimento, sobretudo, calcado em uma necessidade de caráter profilático.
“naquele lugar [América do Norte], emergiu uma nova civilização, a qual era fortemente ligada à cultura rural – e por isso não particularmente interessada em fazer cidades e em dar especial atenção à vida urbana. Por outro lado, seria totalmente errôneo tomar a civilização americana como meramente rural. Sendo rural e urbana ao mesmo tempo, ela combina e integra aspectos tradicionais e modernos desde o primeiro momento. Os colonizadores, seguindo o ideal do ‘homem comum’, criaram o que eu chamo de ‘paisagem republicana’, uma paisagem que não é rural nem urbana, mas ambas simultaneamente – uma paisagem híbrida de proveniência americana. A versão radical da Broad-Acre-City de Frank Lloyd Wright é um exemplo perfeito de uma paisagem republicana americana. Ela apresenta uma paisagem rural-urbana ortogonalmente estruturada – um espaço sem nenhum centro” (3).
Quando Lúcio Costa disse, certa vez, que o bom urbanista deveria ser aquele que coloca um pouco da cidade no campo e um pouco do campo na cidade, ele estava, na realidade, apropriando-se do pensamento de Soria (criador da Cidade – linear): ”Realizar la vida urbana; urbanizar el campo”. Tal fato comprova a tese defendida por Carpintero (4) de que o projeto para o Plano–piloto é simbiótico, ao procurar fundir pensamentos urbanísticos de um período, como os da Cidade – linear, Cidade – jardim e alguns dos princípios da Carta de Atenas.
Para o entendimento da divisão da cidade em duas escalas – Residencial e Monumental – deve-se entender, inicialmente, o conceito de escala: o resultado da comparação, considerando a questão dimensional, entre dois objetos. Em segundo lugar, entender que os eixos estruturadores do Plano-piloto – um para cada escala – foram implantados de forma a proporcionar uma relação entre elas e, como conseqüência, reforçar os seus conceitos morfológicos.
O eixo residencial representa o homem no nível individual de sua existência, onde ele possa viver com boa qualidade, possibilitando-o de usufruir, na forma plena, dos momentos de descanso e do convívio social mais íntimo. As superquadras foram implantadas no sentido da curvatura das curvas de nível, com o gabarito máximo de seis pavimentos, permitindo que as copas das árvores e as coberturas dos edifícios estivessem, invariavelmente, em uma altura relativamente próxima umas das outras. A superquadra é uma das faces humanas da cidade as quais os críticos mais contumazes, por uma capacidade limitada ao intransitivo, não conseguem vislumbrar.
Já o eixo da chamada escala monumental, que abriga os marcos e os principais edifícios institucionais é a espinha do dorsal da malha e representa a dimensão coletiva – sabiamente implantado perpendicularmente às curvas de nível. Na extremidade leste do Eixo Monumental, está a Praça dos Três Poderes, contrariando o posicionamento mais central das praças, em outras cidades. Uma das hipóteses para a escolha da sua localização é a preocupação com a segurança. Sem embargo, a morfologia denuncia, como sendo a preponderante, a expressão simbólica desejada por Lúcio Costa. Ela está face a face com o cerrado ou, em suas próprias palavras: a mão de um braço(sic), que toca o coração do país A Praça dos Três Poderes é a continuidade da área urbanizada, sem incorporar o papel de um elemento estruturador - os cidadãos têm como palcos da vida social pública os outros centros da cidade: o Setor Comercial Sul e a Plataforma Rodoviária – a convergência dos eixos.
“a máquina é o ídolo da segunda fase, ‘madura’ da industrialização. Este período, também chamado de ‘fordista’ é fundamentado em: Ciência: baseou-se na produção em massa (‘grandes séries’) [...] o fordismo planejava a cidade social. A máquina, isto é, o uso da ciência e da tecnologia, era considerado o melhor meio de pôr em prática esta idéia. Enquanto objetivava uma visão urbana de alto desempenho retratando eficiência, velocidade e especialização espacial, a produção espacial fordista não estava interessada nem em centros urbanos como na centralização como uma estratégia de desenvolvimento urbano. [...] a cidade fordista se manifestava fundamentalmente como uma antítese da cidade medieval com a sua funcionalmente e altamente integrada centralidade cívica” (5).
No que diz respeito à temporalidade social, deve-se considerar ainda que a construção de Brasília é o resultado de um processo de ocupação do interior do Brasil, anterior ao desencadeado no período JK. A vontade de mudar a capital é antiga e foi formalizada pela constituição outorgada de 1891. Esse deslocamento para o oeste significaria a quebra de uma inércia relativa à ocupação portuguesa próxima ao litoral – mentalidade bem diferente da dos colonizadores de Castela, na outra metade da América do Sul, como nos foi demonstrado no livro de Sérgio Buarque de Holanda: Raízes do Brasil (6).
O projeto de integração do país por intermédio de rodovias apressou a construção de uma nova capital e, como bem se sabe, a mentalidade desenvolvimentista era a principal característica do período JK cujo carro-chefe era a indústria automobilística. Para Lúcio Costa a industrialização significava a própria redenção da sociedade, levando-a criar, de forma intencional, uma cidade que viria a privilegiar o deslocamento por automóveis. Os dois trechos utilizados abaixo comprovam o envolvimento de Lúcio Costa com o pensamento da época.
“Quando não desvirtuado pelos artifícios e equívocos da propaganda comercial e da especulação ideológica, o desenvolvimento científico e tecnológico, além de libertar o homem da fome e da indigência, cria condições capazes de livrá-lo igualmente da vulgaridade e da sofisticação, esses dois extremos que é levado pelas contingências da falsa hierarquia social, e de o reconduzir àquela vida autêntica, simples, densa e natural, sensível e inteligente, digna verdadeiramente da sua condição. Por onde se comprova ser a industrialização intensiva a base mesma de um novo humanismo” (7).
“Brasília não é um gesto gratuito da vaidade pessoal ou política, à moda da Renascença, mas o coroamento de um esforço coletivo em vista ao desenvolvimento nacional – siderurgia, petróleo, barragens, auto-estradas, indústria automobilística, construção naval; corresponde assim à chave de uma abóbada e, pela singularidade da sua concepção urbanística e de sua expressão arquitetônica, testemunha a maturidade intelectual do povo que a concebeu, povo então empenhado na construção de um novo Brasil, voltado para o futuro e já senhor do seu destino” (8).
Um dos princípios da Carta de Atenas apropriados por Lúcio Costa, foi o da eliminação dos cruzamentos de vias, graças à utilização de mudanças de nível. Objetivou-se, com esse recurso, facilitar o trânsito de veículos, evitando o desgaste da máquina com excesso de paradas. É possível percorrer todo o Plano-piloto sem nenhum cruzamento de vias em função da tensão (9) de sua malha. O Eixão, que corta a cidade de ponta a ponta, dividindo a área residencial no sentido transversal, além de ser uma das avenidas principais da cidade, é uma rodovia federal.
Brasília é utilizado por Sennett, para mostrar como o privilégio dado ao automóvel, desvirtuou a função das ruas que deixaram de servir como local de permanência e encontro, como acontece nas cidades tradicionais. O homem que, agora, mora em um lugar urbano e bucólico ao mesmo tempo, encontra-se colocado face a face com a ameaça de viver de forma oculta – fato que nos mostra uma face menos humana da cidade. Da Carta de Atenas, empresto este trecho, para mostrar a atenção dada à circulação de veículos, pelo pensamento corbusiano:
“os veículos em trânsito não deveriam ser submetidos ao regime de paradas obrigatórias a cada cruzamento, que torna inutilmente lento seu percurso. Mudanças de nível, em cada via transversal, são o melhor meio de assegurar-lhes uma marcha contínua. Nas grandes vias de circulação e a distância calculadas para obter o melhor rendimento, serão estabelecidas interligações unindo-as às vias destinadas à circulação miúda” (10).
Quanto à temporalidade individual, a idéia de Lúcio Costa pode, da mesma forma, ser considerada como uma simbiose de aspectos formais de teorias urbanísticas, mas desta feita, com as reminiscências do arquiteto oriundas de sua vivência, por exemplo, na Europa, e das viagens pelas cidades mineiras. São elas – consciente ou inconscientemente – também responsáveis pela expressividade alcançada pelo seu projeto e que acabou sendo um dos diferenciais em relação aos concorrentes, segundo o parecer do júri do concurso. Diferentemente das outras idéias, a de Costa propunha que a nova capital deveria, em sua morfologia, conformar-se à paisagem – a horizontalidade e a topografia deveriam ser seus elementos compositivos – cidade e a paisagem natural fundiriam-se como resultado de um magnífico entendimento do genius loci (11). Estética e função confundem-se, dando ao projeto um caráter ético. O fato de que o mundo, não o quantificado, mas sim, o percebido é considerado perfeito por causa da interação de seus elementos de uma forma dinâmica e harmoniosa, torna a busca pelo belo na obra arquitetônica uma atitude tanto imperativa quanto ética, para o arquiteto. Sobre as referências utilizadas na concepção do projeto para o Plano-piloto Lúcio Costa enumerou:
“1º – Conquanto criação original, nativa, brasileira, Brasília – com seus eixos, suas perspectivas, sua ordenance – é de filiação intelectual francesa. Inconsciente embora, a lembrança amorosa de Paris esteve sempre presente.
2º – Os imensos gramados ingleses, os lawns da minha meninice – é daí que os verdes de Brasília provêm.
3º – A pureza da distante Diamantina dos anos 20 marcou-me para sempre.
4º – O fato de ter então tomado conhecimento das fabulosas fotografias da China de começo do século (+- 1900 – terraplenos, arrimos, pavilhões com desenhos de implantação – contidas em dois volumes de um alemão cujo nome esqueci).
5º – A circunstância de ter sido convidado a participar com minhas filhas, dos festejos comemorativos da Parson School of Design de Nova York e de poder então percorrer de “Grayhound” as auto-estradas e os belos viadutos-padrão de travessia nos arredores da cidade” (12).
A característica antropofágica dos movimentos culturais no Brasil, como a Semana de Arte de 1922 e o Tropicalismo (década de 60), não nos difere tanto de outros povos, pois só há duas formas de duas regiões se relacionarem: o comércio e, por esse, como conseqüência, a cultura. Todos os povos receberam ou recebem alguma influência externa, em algum momento de sua história. Sem embargo, o Brasil tradicionalmente, pelo menos nos períodos citados, soube buscar e incorporar influências culturais externas de forma responsável, criativa e sem preconceitos.
“estar desarmado de preconceitos e tabus urbanísticos e imbuído da dignidade implícita do programa: inventar a capital definitiva do país” (13).
Por intermédio da síntese das teorias do pensamento moderno sobre o urbanismo, somada ao repertório de experiências urbanas de Costa, como vimos anteriormente, o projeto para o Plano-Piloto desmente o fato de que o caráter simbólico não deveria fazer parte da cidade moderna. O Congresso Nacional é colocado como elemento articulador entre a Praça dos três Poderes e o resto da área urbanizada. Para o coroamento dos plenários, Costa utilizou um antigo arquétipo: a mimetização do cosmos através da cúpula, que pode ser encontrada no Panteão Romano, na Catedral de São Pedro, no vaticano ou na descrição de Plutarco ao falar obre a fundação de Roma, por Rômulo (14). A morfologia juntamente com o forte apelo simbólico transmitido pelas intenções volumétricas explicitadas, particularmente, para os edifícios institucionais, são, certamente, a razão de uma expressividade inelutável – tradutora da esperança que o arquiteto compartilhava com seus contemporâneos, de um futuro melhor para o país que viria após a construção da nova capital. Paolo Portoguesi, na obra “Depois da arquitetura moderna”, explicita uma de suas divergências com o pensamento moderno:
“na sua tendência para a simplificação, para a nudez, a arquitetura moderna tirou à forma o seu valor simbólico e transferiu-o, ao contrário, para a matéria” (15).
Brasília continua necessitando de um maior entendimento a começar, pelo processo que desencadeou sua construção. Só assim, poderemos preservá-la na forma devida; prepará-la para o futuro; e utilizar seus ensinamentos. A obra completa de Lúcio Costa, portanto, deveria ser objeto de estudo constante. O que ele nos deixou como legado está, na realidade, muito além de sua produção, que estendida às suas reflexões, pode ser convertida em ensinamentos atemporais com utilidade em qualquer lugar, onde o bem-estar do homem seja o principal fim. Lúcio Costa foi Arquiteto: tecnicista e humanista. Em 1985, ele avaliou assim, o Plano-piloto já consolidado:
“O importante é que Brasília existe e foi concebida e consolidada já na escala do Brasil definitivo. E para mim, como urbanista, importa o seguinte:
1º a sua estrutura é original e tem ‘garra’;
2º a Praça dos Três Poderes, complementada pelos Ministérios do Exterior e da Justiça na cabeceira da Esplanada dos Ministérios, se constitui, desde o seu nascedouro, numa obra-prima de integração arquitetônico-urbanística.
3º o conceito de superquadras como extensão residencial aberta ao público, contraposição ao de ¨condomínio¨ como área fechada e privativa, foi inovador e revelou-se válido e civilizado;
4º a plataforma-rodoviária já se consolidou e definiu como centro de convergência do complexo urbano composto da cidade político-administrativa e dos improvisados assentamentos satélites;
5º o programa das quadras econômicas agora implementado, juntamente com o das agrovilas, evitará o espraiamento ¨suburbano¨ e, conjugados, darão afinal à cidade não só o sentido e conteúdo social, como o apoio rural contíguo, coisas que lhe estavam faltando” (16).
As superquadras são ocupadas de uma forma bem diferente da maneira imaginada por Costa: pessoas de distintas classes sociais vivendo porta a porta. O urbanismo, assim como as leis, é incapaz de eliminar determinados vícios da vida social. Sem embargo, os equívocos estéticos são tradutores fiéis das doenças que afligem a sociedade. O arquiteto é, também, umconstrutor de símbolos, transmissores de valores convencionados pela sociedade cuja atividade deve ter uma perspectiva direcionada para uma crítica comprometida com a realidade de sua época. A sua relação, conflitante ou não, com o poder, como conseqüência, torna-se fundamental tanto quanto inevitável.
“a cidade é a mais democrática possível. É um cacoete chamarem a cidade de autoritária. Não tem justificativa. A cidade tem um espírito aberto. Eu já disse que a Praça dos Três Poderes é a Versalhes do povo [...] é bom sinal o urbanismo funcionar bem num governo de direita ou de esquerda. O bom urbanismo está acima das ideologias. Pode ocorrer tanto num sistema político autoritário quanto num liberal. Tudo depende dos profissionais responsáveis. Se eles são submissos a caprichos políticos, então são irresponsáveis. O verdadeiro urbanismo está acima da direita e da esquerda” (17).

notas
1
COSTA, Lúcio. Com a palavra, Lúcio Costa. Organização: Maria Elisa Costa. 1ª ed. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2001, p. 58.


2
SENNETT, Richard. O declínio do homem público. Tradução: Lygia Araújo Watanabe. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.


3
HASSENPLUG, Dieter. Sobre centralidade urbana. Publicado no sitewww.vitruvius.com.br. Acesso em: 11 de Julho de 2007.


4
CARPINTERO, Antônio Carlos. Brasília: prática e teoria urbanística no Brasil, 1956-1998. Tese de Doutoramento. São Paulo, USP-FAU, 1998.


5
HASSENPLUG, Dieter. “Sobre centralidade urbana”. Arquitextos, n. 085. São Paulo, Portal Vitruvius, jun. 2007 <www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq085/arq085_00.asp>.


6
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo, Companhia das Letras, 2006.


7
COSTA, Lúcio. Op. cit, p. 25.


8
Idem, ibidem.


9
O grau de tensão de uma via é maior quanto menor for o número de cruzamentos dela com as demais.


10
LE CORBUSIER. A carta de Atenas. Tradução: Rebeca Sherer. São Paulo, Hucitec/Edusp, 1993, p. 98.


11
Termo que se refere à força do lugar e utilizado em CHING, Francis D. K.Forma, espaço e ordem. Tradução: Alvamar Helena Lamparelli. São Paulo, Martins Fontes, 1999.


12
COSTA, Lúcio. Op. cit, p. 93.


13
Idem, ibidem.


14
Informação retirada de CORNELL, Elias. A arquitetura da relação – cidade campo.


15
PORTOGUESI, Paolo. Depois da arquitetura moderna. Lisboa, Edições 70, 1985, p. 29.


16
Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 2, nº 15.


17
COSTA, Lúcio. Registro de uma vivência. São Paulo, Empresa das Artes, 1995, p. 5.


sobre o autor
Francisco Lauande é arquiteto. Formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da Universidade de Brasília (1987). Tem curso de pós-graduação em Sistemas de Construção pela Universidade Metropolitana de Tóquio. Foi membro do Conselho Fiscal do IAB-DF e Diretor Cultural do IAB-DF. Foi o responsável pela organização da III Bienal de Arquitetura de Brasília (2001). Foi professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UNIP, campus Brasília. É aluno do curso de mestrado em Teoria e História da Arquitetura, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (orientado pelo Professor Antônio Carlos Carpintero)